20051120

Bem vs Mal

A guerra é antiga, a batalha continua sem fim à vista.


bem, do Lat. bene
s. m., tudo o que é bom, justo, agradável e conforme à moral;


mal, do Lat. malu
s. m., aquilo que prejudica ou se opõe ao bem;

As definições parecem claras, mas são bastante subjectivas. Define-se então o “bem” como algo conforme à moral.



moral, do Lat. morale
s. f., conjunto de costumes e opiniões que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem relativamente ao comportamento;
conjunto de regras de comportamento consideradas como universalmente válidas;
parte da filosofia que trata dos costumes e dos deveres do homem para com o seu semelhante e para consigo;
ética;
teoria ou tratado sobre o bem e o mal;

Sabemos então que as opiniões, os costumes e tradições dos varios povos são diferentes.
Pode-se então concluir que cada pessoa têm a sua prespectiva de “bem” e de “mal”, esses conceitos são normalmente absorvidos da sociedade através do processo de educação, cada indivíduo recebe esse conjunto de conceitos sobre o bem e o mal e adopta-os, alguns mantêm-nos inalterados, outros, e através das experiências vividas, vão reconstruindo a sua própria concepção de bem e mal.

A sociedade impõe-nos assim a sua própria moral, os que a aceitam vivem em harmonia com a mesma, a minoria que nega essa moral e rompe com a sociedade acaba por ser marginalizada. À medida que essa minoria cresce, o equilibrio de forças muda e os proscritos entram em confronto com a sociedade. Dá-se então uma crise de valores, uma guerra entre o “bem” defendido por uns contra o outro “bem” defendido pelos outros.
O “bem” e o “mal” passam a ser relativos, de ambos os lados das trincheiras se combate em nome do bem maior, cada facção advoga que a sua causa é a correcta, que está a combater o mal que assola a sociedade.
Este confronto quando transferido para um plano belicista apenas serve de capota para uma outra guerra, a guerra territorial e económica, a luta pelo poder.

A maioria das guerras religiosas travaram-se com o argumento do combate aos infiéis, ambos os lados defendem que a antítese é a errada, que têm “deus” e a moral do seu lado, que o inimigo é apoiado pelas forças das “trevas”.
Todos esses argumentos não são mais do que desculpas para o verdadeiro motivo, a sede de poder do Homem.
As Cruzadas, a Jihad, são apenas alguns exemplos.

Assim sendo, não existe verdadeiramente uma guerra do “Bem” contra o “Mal”, pode-se falar sim numa guerra do Homem contra o Homem.

20051119

in principio creavit Deus caelum et terram

A “religião” surge na humanidade ao mesmo tempo que a primeira pergunta é feita.

Quem sou eu?

A partir do momento que o primeiro ser humano toma consciência do mundo à sua volta e da sua dimensão nasce nele a necessidade de explicar todos os fenómenos fisicos que observa, de explicar a sua origem, o seu destino.

A religião surge como uma ciência, é a explicação de tudo o que não têm explicação.
É com o Homem primitivo que surgem os primeiros mitos, os primeiros deuses. Numa primeira fase os “deuses” não são mais do que os espiritos da natureza, os espiritos dos animais, do fogo, da água, da terra. São entidades misteriosas que para o Homem surgem em representações fisicas, a águia que voa bem alto só o poderia fazer porque estava animada por um espirito superior e poderoso. Nesta fase religião é apenas um instrumento do Homem que o ajuda a compreender o mundo que o rodeia. Com o avançar dos tempos e com o intercâmbio de cultura entre os vários povos os mitos e crenças vão-se tornando mais complexos, começam a surgir forças superiores que controlam o mundo, ao invés de forças elementares surgem forças agrupadoras, Deuses com competências em dominios específicos, o Deus da caça, da agricultura, do amor, da morte.

Com o inicio dos grandes impérios surgiram as grandes religiões, os Egípcios, os Gregos, os Romanos. Estas religiões tinha varios aspectos comuns. A mitologia Romana não foi mais do que uma apropriação e reconversão da mitologia Grega.

Com o colapso do Império Romano, uma nova forma de religião começa a ganhar poder, o monoteismo, a adoração de um deus unico e todo poderoso em todos os dominios. No médio-oriente essa forma de fé surgem como força unificadora dos povos que se juntam em torno de uma causa comum, a sua expansão territorial e a divulgação da palavra do seu deus. Na Europa essa unificação surgem mais tarde com o inicio das cruzadas.

A religião pode assim ser vista como uma ciência explicativa e como força de coesão social, tendo ao logo da historia o peso de cada uma dessas vertentes variado.

Se no inicio “deus” servia para explicar porque é que o sol brilhava e porque é que o céu é azul, hoje “deus” serve para explicar porque é que povos combatem até à sua propria aniquilação. À medida que a ciência avança e nos ilumina sobre grandes questões à religião vai ser dado apenas o papel de força moralizadora.

faciamque in eis ultiones magnas arguens in furore et scient quia ego Dominus cum dedero vindictam meam super eos

20051110

A raiz de todo o mal

Também conhecida como a raiz do pensamento;

Qual a natureza das ideias? De que são feitas? Matéria? Energia? Fisicas ou meta-fisicas? De inspiração divina ou pura casualidade?

Estas são algumas perguntas para as quais não tenho uma resposta concreta, no entanto posso tentar teorizar sobre o assunto.


É este o mote para mais um Weblog...